domingo, 9 de agosto de 2015

ATIVIDADE 1 - Conexão Jardim Gramacho, Ilha das Flores ,Boca do lixo e Vista Cansada



1) Conexão dos vídeos Jardim Gramacho, Ilha das Flores e Boca do Lixo entre si e  com o texto Vista Cansada. Onde as pessoas são protagonistas de sua própria vida? Onde são vítimas das circunstâncias? Compare os três vídeos. Qual a ligação dos três vídeos com o texto Vista Cansada? Será que somos protagonistas em nossas vidas? De acordo com o que foi discutido em sala de aula



 Onde as pessoas são protagonistas de sua vida ?

As pessoas são protagonistas , quando conseguem ver além de sua própria situação e fazem de suas dificuldades e obstáculos de ponte para saírem daquela situação, onde se encontram, pode-se observa que em Jardim Gramacho e Boca do Lixo as pessoas que estão ali, não veem no lixo como sua última e única opção de vida, mas veem no lixo uma forma de sub existencial, onde tiram dignamente o dinheiro para seu sustento e isto pode ficar comprovando com o depoimento de uma Srª que disse que tinha uma filha que estava estudando direito e que através dela, que trabalhava ali conseguia dar uma educação melhor a seus filhos

Onde são vítimas das circunstâncias ?


as pessoas são colocadas como vítimas das circunstâncias como mostra os curtas, quando observamos a crítica às desigualdades sociais geradas pelo sistema capitalista e a ausência de políticas públicas, para solucionar a miséria de parte da população brasileira. Demostra seres humanos numa condição abaixo de porcos, esse fato é narrado no documentário de Ilha das fores.

Será que somos protagonistas em nossas vidas ?


sim somos, a partir do momento em que não nos acomodamos em nossa situação, e corremos atrás de novas oportunidades para obter uma condição de vida melhor, em Ilha das flores vemos as pessoas acomodadas a sua situação, porém nos outros dois documentários, fica forte a evidência que embora estejam cercados por fatores não positivos para uma boa sobrevivência, simplesmente não se acomodam e não aceitam sua condição, utilizando somente o local como um meio de fonte de renda, ondem podem trabalhar com dignidade, podemos citar como exemplo a mulher que ao dar o seu depoimento disse que já havia trabalhado em casas de família com carteira assinada, mas que preferia trabalhar no lixão, pois não tinha que cumprir horário, pois ela mesma conseguia fazer o seu próprio horário e nem pedir nada a ninguém para sobreviver.

FILME: ILHAS DA FLORES - JORGE FURTADO.




Ao assistir este documentário o sentimento que aflorou em mim foi de perplexidade, de observar que, em meio a tantas mudanças decorridas ao longo do tempo, não conseguimos sair da linha da desigualdade e preconceito com as pessoas menos favorecidas, que buscam nos trabalhos onde a maioria não quer ir, como meio de sobrevivência e trabalho. O pior que, passados tantos anos desde a sua realização, ainda estamos diante da mesma realidade. Esta visão degradante está presente em vários locais do País. Seres humanos, desprovidos de oportunidade, tentando seu sustento em lixões pelo País. A imagem de pessoas sendo preteridas na escolha inicial dos alimentos, onde porcos possuem preferência, me indigna, assim como deve indignar muitas outras pessoas.



FILME: BOCA DE LIXO - DE EDUARDO COUTINHO.




Um pouco para lá da metade do documentário Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho, um dos personagens, seu Enock, dirá: "O lixo faz parte da vida. O final do serviço é o lixo. E é dali que começa…O final do serviço diz que é a limpeza da casa, ir jogando fora o que se desprezou, o que se reciclou, o que findou ali. Mas ele (o lixo) continua ali e dali ele continua pra mais longe ainda…" Aquilo que não serve mais, que foi rejeitado pela cidade, que perdeu a utilidade para nós, o "final do serviço", enfim, nas palavras de Seu Enock, é também o início do documentário. A câmara passeia pelo lixo e vai encontrar urubus e outros animais alimentado-se dele. E é através do lixo, ainda, que seremos introduzidos às histórias e visões de mundo das pessoas que - surpreendentemente para nós, habitantes privilegiados das cidades - o converte em material de consumo e sustento. Da imensidão do campo repleto de detritos e bichos os mais variados somos confrontados com a imagem de seres humanos como eu e você disputando avidamente o mesmo alimento que há poucos instantes atrás vimos os animais disputarem. O caminhão despeja os detritos e o realizador, direcionando nosso olhar através de planos detalhes, nos mostra o objeto de disputa daquelas pessoas: sobras de frutas, legumes, carnes etc. desaproveitados. O que vem a seguir serve, de algum modo, para confirmar aquilo que já supúnhamos saber, os catadores se escondem, protegem seus rostos da intromissão do invasor e sua câmera, e a nossa conclusão: eles têm vergonha de trabalharem ali naquele local que para nós, espectadores, é desconcertante. Estão ali, ainda segundo nossa visão, porque não há definitivamente outra opção, vítimas que são de um sistema social injusto e contraditório etc. etc. e seguimos, seguros, lançando mão de um sem número de outros jargões e lugares comuns, adquiridos ao longo de nossas vidas cômodas e confortáveis, bem diferente daquele mundo abjeto. Mas aí quando adquirimos a certeza de que já entendemos tudo, Coutinho nos surpreende outra vez. Ele monta três depoimentos de três catadoras de lixo que afirmam estar ali por opção, que preferem o lixo, no dizer de uma delas, a trabalhar em casa de família, porque, segundo outra, "tem uma porrada de mulher aqui, uma porrada de homem… que trabalha aqui porque é relaxado, porque prefere comer fácil, porque aqui cai batata, porque aqui cai de tudo pra se comer, muita gente come porque quer", e outra, "trabalhar aqui… eu tenho orgulho de trabalhar aqui!, porque não tenho que ir na casa de ninguém pedir…" Depois destes três depoimentos, nossa certeza dilui-se e dá lugar a uma inquietação que nos faz grudar nas histórias e naquilo tudo que aquelas pessoas nos tem a dizer, e a única certeza daí por diante é que não há mais certezas...Um risco inadmissível, e que achava não mais existente, são os resíduos hospitalares, que por força de lei, achava que não mais eram descartados em lixões, e sim com destino adequado (incineração). Seringas, agulhas e outros materiais hospitalares contaminados, descartados a céu aberto, como retratados no documentário, “deveriam” ser passíveis de punição rigorosa. Friso o DEVERIAM! Pois muitas coisas que poderiam ser feitas em nosso País, não passam da conjugação deste verbo.


FILME: JARDIM GRAMACHO - DE VIK MUNIZ



O documentário Lixo Extraordinário, com título original 'Wasteland', é uma produção da Almega Projects e 02 Filmes Produções, com o objetivo de retratar o trabalho do artista brasileiro Vik Muniz com os catadores de lixo do Jardim Gramacho. O artista brasileiro decidiu que gostaria de sair do âmbito restrito das belas artes e mostrou seu grande interesse e trabalhar lado a lado com um grupo em que o produto faria a diferença para essas pessoas. Neste intuito, Vik começou a pesquisar as pessoas e qual material poderia usar. Foi aí que surgiu a ideia de trabalhar com os catadores de material reciclável do maior aterro sanitário do mundo: o Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, localizado no Rio de Janeiro.O documentário é emocionante e leva à reflexão incrível do quanto o sonho deste trabalho, aliado ao sonho do trabalho da ACAMJG foram importantes pra mudar a vida dessas pessoas. É notório o quanto o documentário valoriza o trabalho deles dentro do lixão, não só para quem se orgulha do que faz, mas a diferença que eles fazem pelo ambiente (já que os catadores do Jardim Gramacho retiram 200 toneladas por dia de material reciclável). Para essas pessoas, o importante foi lutar também por algo que fosse maior para suas vidas, para os seus projetos pessoais. É um documentário a ser recomendado. Ele mostra não só a importância de sonhar, mas também a importância dessas pessoas dentro do cenário do reaproveitamento de recicláveis e também a realidade de um país que não dá assistência mínima para essas pessoas que fazem tanto a diferença.


                                                            



                                                  TEXTO: Vista Cansada - Otto RezendeOtto 




Rezende em seu texto trás uma discussão grandiosa. Podemos pensar em diversos pontos da sociedade que nós levam ao habito, cotidiano e por fim a banalização do olhar. Será que tem que ser assim? Temos que passar pelos mesmos caminhos todo dia para trabalhar? Temos que tratar o porteiro com aquele bom dia automático?Parece que andamos olhando sempre o que está por vir e esquecemos o que está a volta, presente naquele momento. Eu diria que isso é uma doença moderna. ele coloca uma situação inusitada: Uma cegueira branca aplaca um país, a partir dessa enfermidade ele discorre as ações humanas e mostra que mesmo cego o homem continua “cego”. Alguns se aproveitam da situação, outros utilizam da violência para ter o que querem. Ele também mostra que existem aqueles que se importam com as necessidades dos outros, que entendem a situação e tentam fazer o bem comum a todos. Vista cansada nós faz ir muito além, e nós remente aos vídeos onde vemos muitas pessoas que não são " vistas " pois estão a margem: da pobreza, falta de educação, saúde; mas que mesmo assim encontram motivações para seguir e o texto nós abre a visão do quanto devemos esta mais atentos as circunstâncias ao nosso redor e não ficar somente preso a que vemos, mas ter um novo olhar para aquelas coisas que mesmo olhando não estamos vendo, pois estamos tão preocupados conosco mesmo e com nossos problemas , que vamos criando uma falta de sensibilidade ao mundo ao nosso redor. O livro é uma analogia a condição humana no seu estado bruto, sem lapidações.

                                                          












Um comentário:

  1. BRASIL - 12/12/21 - 15h40!

    Como professora/pesquisadora (UFPB)adorei conhecer essa BLOG da Geisa Matos dos Santos: Estudos inspirados em Paulo Freire e outras referências, como Otto Lara Resende.

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